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MUDANÇA PELA MUDANÇA

07/05/2012

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Não existe regras estabelecidas para se estabelecer o que vai ou não ser moda na próxima estação, este é um campo livre de amarras

O calendário oficial da moda brasileira tem início no dia 22 de maio com o Fashion Rio, porém em Minas Gerais, muitas marcas brasileiras já apresentaram suas propostas em uma semana de moda dedicada a pré-coleções, o Minas Trend Preview. Paralelo ao Fashion Rio estará o Senac Rio Fashion Business, grande salão de negócios tocado por Eloysa Simão, e fechando o ciclo nacional vem a São Paulo Fashion Week.

Somados, estes quatro eventos apresentarão cerca de 100 coleções, com uma média de 30 looks cada, cheias de novidades ou não pra o próximo verão. É uma época onde são esperadas muitas incompreensões, principalmente, no que se diz respeito as mudanças que não se explicam senão pela própria mudança.

Algumas roupas são equisitas e fora do comum, o que causa certo estranhamento no consumidor final que vê um desfile. Mas por que será que estilistas criam dessa maneira? A resposta para isso é a lógica que faz parte da dinâmica da moda, que exige que tudo mude ou como melhor expressou Walter Benjamin, que torne a moda “a eterna recorrência do novo”.

O produto tem que ser apresentado de forma diferente e não como o mais bonito. Nesse aspecto vale lembrar o contraponto do sociólogo francês Jean Boudillar, que em seus primeiros escritos afirma que “roupas realmente belas, definitivamente belas, poriam fim à moda”. Estaria ele errado? Quem espera ver apenas coisas bonitas nas passarela não compreendem a dinâmica da moda.

Beleza e funcionalidade nem sempre são as bases para as criações, o que permite que os estilistas apenas mudem – o comprimento da saia por exemplo – de uma estação para outra sem nenhuma razão específica, ao contrário do que  fizeram os estilistas durante a Segunda Guerra Mundial, criando modelos mais simples, que utilizavam menos tecidos.

“Em princípio, um objeto de moda não precisa de nenhuma qualidade particular além de ser novo”, disse o filósofo Lars Svendsen, em seu livro Moda: uma filosofia, o que assinala que talvez na próxima estação as saias fiquem mais curtas, os cintos fiquem mais finos ou ainda que o terno de dois botões seja o mais usado, sem nenhum motivo concreto para isso.

Não é preciso entender, nesse sentido, a razão da mudança, simplesmente porque na grande maioria das vezes ela não existe. A regra geral é que a moda está atrelada ao conceito do novo, ainda que vá buscar no passado a peça chave da próxima temporada.

Uma versão deste artigo foi publicado no suplemento Sala VIP, de O Jornal, em 29 de Abril de 2012

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