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A DIOR, SIMONS E EU

17/04/2012

Cores do verão 2011 da Jil Sander

Como uma das recentes mudanças no mundo na moda pode afetar a vida do consumidor comum

O assunto mais comentado dessa semana no mundo da moda, sem dúvida, foi o anúncio de Raf Simons como novo diretor criativo da maison francesa Dior. A notícia soa como algo grandioso para os assíduos consumidores da marca, porém, os demais devem estar se perguntando: o que eu tenho a ver com isso?

A maioria absoluta dos consumidores de moda e mesmo alguns fashionistas nunca ouviram falar de Raf Simons ou de suas peculiaridades enquanto criador, mas já ouviram falar da Dior, uma das etiquetas mais expressivas do conglomerado de luxo LVMH, que foi fundada em 1947 por Christian Dior, após a Segunda Guerra Mundial.

Entretanto o questionamento para muitos permanece: o que eu tenho a ver com isso se nem sequer uma peça da Dior eu possuo? Existem algumas repostas plausíveis para essa indagação e a isto que esse texto se destina, mostrar que a chegada de Simons pode alterar me decisão de compra nas próximas temporadas.

Como todas as marcas que integram o mercado de luxo, tudo o que a Dior coloca na passarela é copiado, seja por estilistas brasileiros ou pelas cadeias de fast fashion, que com mais agilidade colocam as peças desejo das passarelas nas araras. O que todo mundo acaba consumindo, sabendo a procedência ou não.

Mesmo não estando inseridos no ethos da moda, as pessoas consomem o que está se usando, o que se vê na novela, o que foi copiado das marcas de luxo, como a Dior, que terá as criações de Simons nessa posição de “matriz” para as peças “inspired” da vida.

Raf Simons

Raf Simons

O designer belga, de 44 anos, recém saído da direção criativa da marca alemã Jil Sander – depois de sete anos de considerável sucesso – irá ocupar o posto deixado pelo inglês John Galliano, demitido em fevereiro do ano passado depois de comentários anti-semitas em um bar do Marais, em Paris.

Na Jil Sander, além de ressuscitar o minimalismo, Simons, consolidou uma das tendências mais fortes das últimas temporadas, o color bloking, com sua coleção de cores fortes para o verão 2011. E quem ainda não vê essa tendência por aí?

Depois de um ano sem diretor criativo, a Dior dá um fim as criações de Bill Gaytten – odiadas pelos críticos – para lançar já na próxima temporada de alta costura de Paris o nome de Simons para além da mídia especializada. Não resta dúvidas de que o poder do LVMH, aliado ao talento do designer, darão a Dior o brilho requintado inerente a seu fundador e meio esquecido na época dos desfiles polêmicos de Galliano.

E ainda que não esteja em seus planos comprar um peça da Dior ou se interessar por Simons, vale recordar a cena clássica do filme O diabo veste Prada, onde a editora de moda Miranda Priestley ensina a sua nova assistente, Andreia, como nada do que usamos no nosso dia a dia está isento da indústria da moda, por mais que pensemos que sim.

Uma versão deste artigo foi publicado no suplemento Sala VIP, de O Jornal, em 15 de abril de 2012.

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