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JIL SANDER: O FIM DA ERA RAF SIMONS

25/02/2012

Raf Simons fotografado por Willy Vanderperre

O belga Raf Simons chegou a Jil Sander, em 2005, como um designer de moda masculina pouco conhecido, mesmo tendo lançado sua marca em 1995, exatamente 10 anos antes de se tornar o diretor criativo da grife alemã pertencente, na época, ao grupo Prada de Patrizio Bertelli. Designer industrial formado pela Academia Real da Antuérpia, Simons começou a trabalhar com moda como assistente, do também belga, Walter Van Beirendonck, de quem talvez tenha herdado o lúdico discreto, marcante em seu estilo sério.

Na coleção de estreia no feminino em setembro de 2005, ficou claro qual seria a linha e o tipo da mulher que o designer iria vestir: elegante, que preza pelo conforto, mas sabe estar impecável mesmo nos momento mais banais. Este perfil aos poucos foi conquistando a européia e repercutindo no mundo.

Primeira coleção feminina para Jil Sander, inverno 2006

Se observamos sua coleção para o verão 2007, vamos encontrar a mesma paleta de cores que tanto fez sucesso no verão 2011. Considerada por muitos críticos a mais influente coleção daquela estação, por misturar formas da alta costura com a praticidade urbana. Revendo suas criações, dá para ver claramente a evolução minimalística de Simons, que manteve uma mão firme ao longo de sete anos a frente da marca.

Quem ficou surpreso com o trabalho de proporções e volumetria no verão 2011, deve saber que o criador, que sempre teve os olhos voltados para o futuro, já trabalhou formas que desafiam as linhas paralelas de seu estilo boxy tão copiado, principalmente na moda masculina. Não é exagero dizer que na última década Raf Simons tenha sido, ao lado de Hedi Slimane, um dos principais ditadores da vestuário do homem contemporâneo.

Há como falar de forma continua sobre identidade e singularidade em seu trabalho, que experimentou materiais e direções sempre interessantes. No inverno 2009 trabalhou as linhas curvas e formas arredondadas no feminino com precisão, assim como fez inúmeros recortes no inverno masculino de 2010 em ternos e camisas, mostrando que é tão bom com recortes como o é sem eles.

Inverno 2010

Se alguem ainda suspeitava que sua moda atingia apenas as executivas ricas, clientes da marca, de forma restrita, a surpresa foi grande quando no inverno 2010 ele cobriu a passarela com mini vestidos em xadrez. Esse seria o retorno definitivo da estampa para moda – nesse período o xadrez estava em desuso e explodiu como uma bomba atômica de ondas radioativas que se propagam até hoje.

Seu trabalho foi sempre habilidoso em misturar tecidos dar novas proporções ao terno masculino, o fazendo migrar sem dificuldades entre o sportswear e clássico. Quando penso no homem da Jil Sander me vem a cabeça um rapaz vestido em calça social, de corte slim, e uma camisa de mangas vincadas abotoada até o colarinho. Essa é minha imagem masculina da grife alemã nas mãos de Simons.

Inverno 2010

Quando penso na mulher da Jil Sander na interpretação do criador que dará seu adeus a marca no próximo sábado (25) quando apresentará a coleção para o inverno 2012, lembro de um vestido preto com algum detalhe que é preciso aguçar os olhos para enxergar. Pode ser um tecido de textura diferente, de natureza tecnológica, fruto de experimentação de materiais ou ainda, com o verso lindamente colorido. Ou pode ser apenas um lindo vestido e um casaco aberto por cima, sem gola.

Os sete anos o trabalho de Simons foram tão significativos e apurados, que rever cada uma de suas coleções, no masculino e no feminino, me fez aprender muito sobre imagem de moda, mas além disso, me fez relembrar quais são três das principais características de um bom designer de moda.

A primeira é a constância. Particularidade que manteve com tenacidade em cada uma das coleções, em um trabalho que pode ser unido em um alinhavo simples, sendo possível se ter uma visão do todo, sem jamais, encontrar heterogeneidade.

Verão 2007 com cores semelhantes ao verão 2011

A segunda característica é a capacidade de move-se para o futuro com combustível do passado, sem ser literal, chato e repetitivo. É apresentar o moderno que o jovem não consegue perceber de imediato. É ter um universo para cada coleção mesmo que materiais, forma e inspirações se encontrem pelo caminho com outras. Nisso Simons é mestre!

Ternos recortados, verão 2009

A terceira e a mais importante é ter peças desejáveis, que sejam compreendidas pelos consumidores na passarela, embora não sejam banais. Não posso imaginar seu design para a marca de outro jeito, sem suéteres e sem um bom tricô.

Olhando pra sua última coleção podemos prontamente achar tudo novo e diferente, mas basta revirar os arquivos e descobrir o quanto Raf se refere a si, a seu próprio estilo.

Muito especulou-se sobre a ida dele para Dior. Seria interessante, porém não vejo um criador tão enraizado no minimalismo coordenando a casa onde surgiu o New Look, soa contraditório. É certo, entretanto, que e continuará a tocar a marca masculina que carrega seu nome e já tem 12 anos – vangaurda no menswear! Quanto ao futuro na moda feminina, não se sabe quando, depois de última apresentação para Jil Sander, teremos a oportunidade de ver a mulher de Simons novamente.

Momentos significativos:

Verão 2009 | inverno 2009 | verão 2010 | verão 2010 | verão 2011

One Comment leave one →
  1. 25/02/2012 0:34

    Excelente panorama da trajetória do Raf na Jil. Ele criou uma verdadeira identidade na forma de vestir uma mulher!

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