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AS VERDADEIRAS ‘FASHION VICTIMS’

18/11/2011

Loja da Zara em São Paulo

No final da tarde desta quinta-feira (17), a diretoria da cadeia de lojas  Zara, no Brasil, informou o adiamento da assinatura do Termo de Compromisso de Ajuste de Conduta (TAC) com o Ministério Público do Trabalho em São Paulo – termo que busca regularizar a cadeia produtiva da grife espanhola e reparar os danos causados aos trabalhadores flagrados em regime de trabalho semelhante ao escravo. A diretoria adiou a assinatura alegando que já tinham compromissos agendados para a sexta-feira (18), dia fixado para a assinatura do TAC.

Em junho deste ano, fiscais do Ministério Público do Trabalho encontraram 51 pessoas em situação degradante de trabalho (entre os quais 46 bolivianos), em uma confecção terceirizada da Zara na cidade de Americana-SP. Em julho, 14 outros bolivianos foram encontrados em condições de trabalho semelhante ao escravo em uma outra confecção de São Paulo, capital.

Podemos pensar pensar que pelo fato das confecções serem terceirizadas, talvez, a Zara não seja responsável pelas condições precárias em que foram encontrados os trabalhadores, porém a fala do procurador Luiz Carlos Fabre, ao repórter da Agência Brasil, Daniel Mello, deixa claro que a história não é bem essa: “A Zara deve fiscalizar as relações de trabalho na sua cadeia produtiva com o mesmo zelo com que fiscaliza a qualidade dos produtos de seus fornecedores”.

A atitude da diretoria de “adiar” um compromisso tão importante, que trata de qualificar a visão da empresa quanto as condições da vida humana, porque já tinham compromissos agendados parece um pouco omissa. É importante lembrar que Enrique Huerta Gonzales e Jesus Echeverria, representantes da empresa no Brasil, alegaram em audiência da Assembléia Legislativa de São Paulo, que desconheciam as condições de trabalho das confecções terceirizadas  nas duas cidades.

Também é importante lembrar que, como outras cadeias de lojas varejistas, a Zara comercializa produtos com preços baixos com status de ‘de boa qualidade’, produtos que são confeccionados com mão de obra barata, a exemplo de outras grandes lojas varejistas como a H&M, que terceiriza confecções de países asiáticos pobres, como o Camboja. Essa prática pode ser louvável, pois movimenta a economia ofertando emprego e renda, mas é preciso haver responsabilidade social agregada a isso.

É importante vender barato, o consumidor gosta disso, o empresário também, porque, em escala, o retorno é grande, contudo há limites e regras a serem respeitadas e é um dever de quem consome moda está a par delas.

Fachada de uma das lojas Riachuelo

Um bom exemplo que passa despercebido do brasileiros é o trabalho do Grupo Guararapes, a maior empresa de moda do país, que comercializa seus produtos na rede de lojas Riachuelo. Alguns ‘fashinistas’ tendem a desmerecer seus produtos por terem preços populares, que todo mundo pode comprar, ignorância. O grupo possui dois parques industriais com cerca de 22 mil trabalhadores, localizados no Nordeste, nas cidades de  Natal (RN) e Fortaleza (CE), neles são produzidos tudo o que é comercializado nas 135  lojas Riachuelo de todo o país.

A região mais pobre do país e beneficiada com emprego e renda sem exploração de mão de obra, o que deveria chamar nossa atenção, principalmente, quando fóssemos escolher onde comprar. Acredito, de maneira muito firme, que isto é um forte princípio do dito consumo consciente. “De onde vem este produto?” é uma pergunta que cabe na cabeça de qualquer consumidor de moda e que todos deveriam fazer antes de qualquer compra. Não tem valor nenhum se apegar a bobagem do produto ‘popular’, quem vê moda dessa forma, entende muito pouco ou nada sobre o assunto.

Talvez seja nossa compra inconsciente – de mercado, de procedência do produto, da CLT – que ajude a vitimar algumas pessoas que precisam do pouco que é pago pela confecção de uma peça de roupa. No caso da Zara, que anunciou a abertura de uma loja em um novo shopping em Maceió em 2013, o que mais me preocupa não é o adiamento da assinatura do TAC, mas sim, como muitos de nós, consumidores, continuamos agindo como se a coisa não fosse conosco, porque afinal não somos da Bolívia.

2 Comments leave one →
  1. 18/11/2011 12:10

    Super concordo e eu sempre penso De Onde Vem antes de comprar qualquer coisa e me recuso a pagar algumas vezes preços nem tao baratos de produtos feitos na China ou em outros países com condiçoes de mao de obra inadequadas

  2. Barbhara Guinossi permalink
    18/11/2011 21:00

    Adorei o post, as pessoas estão mais preocupadas com a moda, do que com as condições de mão de obra. Vou procurar me informar sobre a procedência dos produtos que compro!

    http://blogbarbare.blogspot.com/

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