Skip to content

IHT: FRANCISCO COSTA E O MINIMALISMO

10/11/2011

Enquanto acontece em São Paulo a Hot Luxury, conferência sobre o mercado de luxo mundial orquestrada pela editora de moda do Internatinal Harold Tribune, Suzy Menkes, a edição do jornal desta quinta-feira (11), traz uma entrevista com o diretor criativo da Calvin Klein, o brasileiro Francisco Costa, um dos entrevistados durante a conferência.

Uma versão desta entrevista, que também foi publicada no site do IHT com o título: Francisco Costa: uma abordagem minimalista, segue abaixo traduzida. Nela Costa fala um pouco sobre suas origens e sua relação com o minimalismo, bem como, revela o que aprendeu com enquanto trabalhou com Oscar de la Renta e Tom Ford antes de chegar a Calvin Klein em 2003.

Francisco Costa

Danny Clinch for Calvin Klein, Inc.

Suzy Menkes: Você tem raízes brasileiras, mas em sua posição como diretor criativo do feminino da Calvin Klein Collection, você produz coleções cool, controladdas, aerodinâmicas. Você esconde seu espírito latino-sensual, agora que você vive em Nova York? Ou há um lado diferente do Brasil que não conhecemos, que não é apenas sobre Rio e carnaval.

Francisco Costa: Carnaval, cores vibrantes e muita pele de fora tem representado o Brasil, mas isso é mais um reflexo do Rio de Janeiro.

Na pequena cidade em que cresci, Minas Gerais, as pessoas se vestiam de maneira muito simples e, normalmente, toda de branco por causa do calor. Era um lugar que valorizava elementos naturais – ar, espaço e água – por isso sua estética era muito pura e orgânica, bem como a Calvin Klein Collection é.

A arquitetura moderna do Brasil, como as obras de Oscar Niemeyer, também mostram um outro lado do país que ajudaram a moldar e influenciar meu design.

SM: Você vai nos contar um pouco sobre como é crescer no Brasil? Você foi mais influenciado por sua mãe, ao fazer roupas para crianças, ou por seu pai com os cavalos na fazenda? E como você conseguiu desde daquela época começar a ser um designer de moda em Nova York?

FC: Um dos meus passatempos favoritos quando eu estava crescendo era visitar a fábrica de roupas da minha mãe em Guarani, depois da escola, que foi onde eu aprendi sobre tecidos e cores e comecei a desenvolver o meu processo de design. Depois que minha mãe faleceu, eu tomei a decisão de me mudar para Nova York e prosseguir com os meus interesses por moda.

SM: Foi fácil continuar  o legado de um designer tão icónico como Calvin Klein? Foi um processo de aprendizagem difícil? E você está preocupado agora em criar um identidade  ou fazer roupas que vendem?

FC: Assumir o papel de diretor criativo do feminino da Calvin Klein Collection foi difícil, mas emocionante! Representou um enorme desafio, porque o que Calvin fez pela marca e pela indústria foi monumental.

No entanto, eu tinha o poder, sabendo que ele tinha me escolhido pessoalmente para o posição. Além disso, ter a experiência de trabalhar com Calvin e aprender com ele antes de ele vender a empresa foi inestimável. Ele era um chefe maravilhoso, que desafiava a todos e sempre nos incentivou a criar algo novo,  que permanece na meta da casa hoje.

SM: Você se tornou  um especialista sobre o  minimalismo como uma forma de arte. Você discutiu o assunto com o arquiteto John Pawson em um evento de design em Miami e você contribuiu para um livro sobre minimalismo de Elyssa Dimant (“Minimalismo e a Moda: Redução na era pós-moderna”, Harper Design, 2010). Você pode explicar mais sobre esta paixão por coisas simples?

FC: Tanto na minha vida quanto em meu processo criativo, eu tenho um jeito minimalista. Para mim, o minimalismo é sobre redução. Eu gosto de me cercar de objetos interessantes, idéias e cores, e então eu uso um processo de eliminação para extrair a essência e chegar ao verdadeiro espírito. O resultado é uma sensação de pureza, equilíbrio e continuidade.

SM: Você trabalhou para Oscar de la Renta e Tom Ford. O que você aprendeu co0m estes mestres da moda?

FC: Os dois designers foram mentores incríveis para mim. Com Oscar de la Renta eu aprendi muito sobre a qualidade do artesanato e da cor. Trabalhar na Gucci com Tom Ford, que era uma grande figura visionária, me fez desenvolver uma melhor compreensão de marcas como lifestyle.

SM: Tenho notado que recentemente a cor tem feito parte de suas coleções – não tanto na passarela, mas quando você vestiu celebridades este ano para o Globo de Ouro e o Oscar. Teve aquele vestido dourado metálico de Gwyneth Paltrow, Claire Danes em hot pink, Emma Stone em pêssego brilhante e Lawrence Jennifer em vermelho. Isto é o seu sangue brasileiro correndo nas suas veias da moda?

FC: Enquanto eu preferiro manter a paleta limpa e geralmente neutra na passarela, acho que o tapete vermelho é o lugar perfeito para infundir um pouco de cor e adicionar um pouco de drama.

SM: Se jovens estilistas brasileiros viessem até você agora, que conselho você daria a eles?

FC: Esteja preparado para trabalhar duro, permaneçam confiantes em suas decisões e nunca desistam.

No comments yet

Leave a Reply

Fill in your details below or click an icon to log in:

WordPress.com Logo

You are commenting using your WordPress.com account. Log Out / Change )

Twitter picture

You are commenting using your Twitter account. Log Out / Change )

Facebook photo

You are commenting using your Facebook account. Log Out / Change )

Google+ photo

You are commenting using your Google+ account. Log Out / Change )

Connecting to %s

%d bloggers like this: