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MFW*VERÃO 2012 | JIL SANDER

24/09/2011

Jil Sander Verão 2012 | Reprodução/Style.com

Ao som de ‘Candy shop’ do 50 Cent, Raf Simons falou de pureza no desfile da Jil Sander no início desta tarde de sábado (24), em Milão. Enquanto a letra da música dizia: “I’ll take you to the candy shop / I’ll let you lick the lolipop”, algo como: “Eu levarei você para a loja de doces / Eu deixarei você lamber o pirulito”, uma sequência de oito vestidos brancos, com base na camisaria, confeccionados em popeline fina, entraram na passarela.

A pureza que Simons quis mostrar não estava apenas na cor, mas estava nas linhas e nas formas. O desfile foi um grande exercício de simplicidade e perfeição onde a casa mostrou como se pode trabalhar como elementos tecnológicos em uma estação e na outra reinventar um tecido de algodão como a popeline.

A sequência de vestidos brancos, que trabalharam  transparência em sobreposições, foi quebrada pela saia lápis de tecido brocado em padronagem Paisley, que manteve a silhueta alongada, imersa em uma imagem séria e comportada, inteiramente ligada ao puritanismo. Com lapelas e golas curtas, abotoadas até o pescoço ou em decote V, os tops e blazeres exercitaram a versatilidade de estampas semelhantes. Depois de aparecer no brocado em verde e rosa neon, a estampa Paisley, foi usada nas mesmas cores como estamparia comum, sobre o um top nude – usado com saia preta  – , em amarelo sobre fundo preto,  em azul sobre fundo branco e cinza sobre branco.

Aparentemente a coleção é muito simples, mais é preciso aguçar os olhos para ver detalhes tão perfeccionitas, como os cristais entre as pences que cinturavam os vestidos de inspiração nos anos 50, bem como os chapéus com véu delicado, criados por Stephen Jones, usados por algumas modelos. O desfile teve ainda costumes e shorts com mesma padronagem. Em tricô de fio leve, peças vazadas deram a leveza necessária a aparência austera da coleção. Depois vieram as peças em xadrez de padronagens Vichy e Madras com decotes retangulares e profundos em blazeres sem abotoamento.

Um dos looks mais agradáveis da coleção foi, sem dúvida, um suéter de tricô com desenhos da cerâmica produzida por Pablo Picasso usado com uma saia branca godê. Este momento concentrou toda a força da coleção, comercial e autoral. O conselho de ser puro como as pombas e prudentes como as serpentes, parece ter encontrado o lugar certo para se encaixar, onde a pureza se uniu a esperteza.

Quando as modelos fizeram a entrada na linha final, eu ainda tentava arrumar as ideias na minha cabeça e rapidamente passei a vista em minhas anotações do desfile, vi que havia escrito vezes repetidas a palavra pureza, depois disso, Raf Simons aparaceu e acenou para o público vestindo uma camiseta colorida do verão 2011 da Jil Sander.  Nesse momento eu me lembrei instantaneamente do disco de Newton, que ao ser girado, faz o branco lindamente surgir. Grande trabalho de Simons no verão morno de Milão.

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