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MARIA BONITA | SPFW # INVERNO 2011

31/01/2011

Inspirada nos homens que construiram Brasília o inverno da Maria Bonita é leve e fresco.

 

Fotos: Charles Naseh/Site Chic

A Maria Bonita resolveu mais uma vez falar de Brasil, como fez em seu verão passado, quando tratou das fachadas das casas do nordeste, inspirado em um livro de fotografias. Nessa coleção de inverno, o tema envolvia os nordestinos mas não somente eles, envolvia gente de todos os lugares do país que na década de 60 rumaram em empreitada para o centro-oeste para tornar a Brasília de Juceslino Kubitschek   uma realidade. Eles eram os candangos, homens trabalhadores da construção civil que colocaram a capital federal em pé.

Daniele Jensen tinha um desafio, ao se inspirar e homens e não fazer uma coleção com traços masculinos, respeitando a identidade da marca e as formas fluidas que tanto traduzem o design da Maria Bonita. Pode-se dizer que foi uma tarefa bem executada. Ao som de ‘construção’ entoada pelo poeta Chico Buarque, a modelos entraram na passarela em vestidos e saias longas, feitos de seda pura fluida e ao mesmo tempo contida pelas amarrações e alças que se encotravam no corpo da roupa em uma em um, ou mais fechos de bolsa – que em algumas peças pesou um pouco na modelagem e em outras se ajustou como um tijolo bem sentado. Jensen estampou os vestidos com as linhas das colunas e dos vitrais de Brasília, mas não como conhecemos hoje, deixou tudo no modo primário, para dar o efeito de construção mesmo, que refletia os candangos nos chapéus amassados, nas bolsas grandes e no perfeito bordado de cerâmica que surpreendeu por não pesar em junção do tecido leve. Era como literalmente ter um pedaço da cidade na roupa.

O formato do desfile foi belíssimo também, como em um balé, as modelos entravam em trio, pares e quarteto na passarela, passando entre si, fazendo a ideia acontecer assim como a alfaitaria modesta feita em malha de algodão,  se revelou excelente proposta para o verão das regiões quentes. O desfile conservou o conceito e traduziu o Brasil com muito mais beleza do que na estação passada mesmo também tendo as peças relativamente simples. Penso que o único pecado de Jensen foi juntar em dado momento tecidos pesados com leves, a silhueta não se desenvolveu nesse instante, não acompanhou a junção do céu azul de centro do país, de seu solo acinzentado e suas águas de verde escuro. Não foi uma coleção invernal, teve cara de verão, cara de mulheres que passeiam sob o sol forte.

Veja a geleria com fotos do desfile:

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