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ALEXANDRE HERCHCOVITCH | SPFW # INVERNO 2011

30/01/2011

Alexandre Herchcovitch coloca na passarela o lado sombrio e negro da natureza.

Lea T. | Fotos: Charles Naseh/ Site Chic

No início da temporada brinquei com amigos que achava que Alexandre faria tudo preto para o inverno 2011. Errei por pouco! Fechando o segundo dia de desfiles na SPFW, Alexandre Herchcovitch apresentou mais uma vez uma coleção que surpreendeu, não exatamente pela novidade, mas pelo seu teor puramente dramático. Nesse ponto reside o cerne da identidade de Herchcovitch, seu design varia pouco, é possível conhecer suas linhas, todavia a maneira como ele trabalha os elementos muda constantemente, o que o faz ter um DNA tão característico. Em sua primeira fila estavam Michael Roberts (editor de moda da Vanity Fair) , Candy Pratts Price  (diretora criativa do site Vogue.com), Cecilia Dean (editora de moda das revistas Visionaire e V Magzine) e Bryan Boy (blogueiro fervido da atualidade), entre outros editores nacionais, o que já garantiu grande repercussão sobre o desfile, além de todo alvoroço causado pela presença de transsexual brasileira Lea T. (que vem causando polêmica no mundo da moda após desfilar e participar das campanhas da Givanchy). Tudo estava montado para esperar um espetáculo acontecer. Herchcovitch não decepcionou.

Dando continuidade ao trabalho de formas de seu verão colorido, manteve a proporção da silhueta no mesmo lugar, marcando a cintura no mesmo ponto e moldando o ombro da mesma forma, deixando os volumes seguramente onde estavam. As peças de seu inverno ganharam porém uma elaboração diferente, sendo menos recortadas  e mais austeras. A severidade era um dos temas da coleção que tratava sobre a fúria da natureza, aludindo as rochas vulcões e afins. Metade da coleção era de peças pretas que dividiram espaço com o chumbo , o ocre, o cinza e verde limão siciliano no vestido de Alicia Kuczman. Alexandre bordou casacos de lã com pérolas, fez vestidos, saisa, calças e mais casacos com astracan de base verde limão – para mim o melhor tecido da coleção – que deixava a cor aparecer no movimento das modelos na passarela, revelando as linhas dos recortes em tom flúo. Valorizou o colo feminino em uma versão simplificada do busto rendado da Belle Époque em cetin brilhante.

As rendas usadas na coleção são de especial atenção, adornaram os vestidos, em recortes pequenos, compuseram mangas os capuzes que deram a coleção uma vontade sacerdotal que se completou no look final completamente puritano de Lea T. – um vestido preto de lã, longo, com mangas presas em sobreposições de rendas. Aliás, as mangas presas, foram a maior extravagância tentada dentro de toda sobriedade do desfile. As meias de látex que lembravam rocha fumaçando e os drapeados nos lados das saias e  vestidos são um ponto extra, que vieram da coleção passada e funcionaram muito bem agora. Essa coleção não foi um das melhores do estilista, mas uma das melhores da temporada até então. Estou certo de que irá ter repercussão na crítica quando for apresentada na semana de moda de Nova Iorque em fevereiro, por causa da elegância impecável presente em cada look forte.

Confira os looks do desfile:

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