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ALTA COSTURA | PARIS VERÃO 2011

26/01/2011

Na era do fastfashion todos se perguntam qual o propósito da Alta Costura?

 

Modelos de Elie Saab para o verão 2011 | Fotos: Site Vogue UK

 Durante os últimos três dias (de 24 – 26/01), a capital da França teve a oportunidade de ver o que há de mais precioso e artístico no mundo da moda. A semana de Alta Costura de Paris, que agora se resume a apenas poucos dias, é ainda um dos campos restante na moda onde a arte se projeta de maneira livre e a individualidade, que tanto a justifica encontra algum sentido. As maisons, algumas fundadas ainda no século XIX, como de Charles Frederick Worth, considerado o fundador da Alta Costura e  Chanel, apresentam seus modelos para apreciação de suas clientes donatárias de fortunas diretamente proporcionais ao preços de cada peça. Elas hoje tem seus endereços leste do que tinham a décadas atrás. 

Modelo da Chanel

É fato que hoje, esse setor da moda não exerce a mesma influência que exercia a mais de cem anos atrás. Hoje existem confecções aos montes, lojas multi marcas, semanas de ready-to-wear e salões de negócios organizados e uma estrutura milionária que movimenta o comércio de luxo no mundo inteiro, o que coloca em xeque a validade e a utilidade dos desfiles de Alta Costura. O filósofo françês Gilles Lipovetsky, em seu clássico O Império do efêmero, diz sobre a Alta Costura que seu surgimento “disciplinou ou uniformizou a moda menos do que a individualizou”¹. Afirmando que os criadores deveriam fazer uma quantidade de modelos igual a quantidade de mulheres. O que se constitui numa tentativa eterna  de interpretar a alma, a vontade e a individualidade das uma mulheres, dividida hoje em dois momentos anuais. No início do século XX apenas um décimo dos modelos que era apresentados numa coleção eram reproduzidos ao serem escolhidos pela clientes. Podemos dizer que em uma temporada onde 400 modelos fossem apresentados apenas 40 deles seriam escolhidos. Este número hoje, evidentemente, é menor, assim como o número de casas que fazem desfiles de Alta Costura.

Modelo de Gaultier

Não há como discutir a beleza de um desfile desses, julgar criatividade e/ou apontar pontos fracos ou fortes. As peças são como obras de arte, com a diferença de que a técnica do artista é tão relevante quanto sua onipotência estética insubstituível. Não há como julgar de maneira plausível a força de roupas que tentam traçar a individualidade das mulheres. Há como se pronunciar sem ressalvas sobre a personalidade de alguem, especialmente de uma mulher? O modelos de Alta Costura transformam sonhos e sentimentos em realidade, se adequam ao corpo de maneira perfeita sob os olhos do couturier, sofrem mudanças que permitem uma proximidade com sua futura portadora. Mas não exprimem todas as vontades da vida de um mulher, por isso sempre será preciso mais. O mais que a roupa pronta não pode oferecer porque essencialmente ela foi feita para ser passageira, para ser consumida e substituida pela da próxima estação, enquanto os modelos de Alta Costura são feitos para perdurarem enquanto a alma feminina for possível. Isso responde qual seu papel para moda atualmente, que não está nada ligado ao passageiro.

 

 

¹_ LIPOVETSY, Gilles. O Império do efêmero: a moda e seu destino nas sociedades modernas. Pag 111. Tradução: Maria Lúcia Machado. 2ª. Ed. São Paulo: Companhia das Letras, 2009.

Modelo da Dior | Fotos: Site Vogue UK

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