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RETROSPECTIVA FASHION 2010

29/12/2010

Chega ao fim o ano em que o mundo experimentou uma democratização midiática efervescente da moda.

E ao ano de 2010 chega ao fim! Ano que começou com a  irreparável perda de Alexander McQueen, que resolveu tirar sua própria vida e privar o mundo de seu dom de criar o belo, de sua alfaiataria que não era nada óbvia. Quando eu tinha 15-16 anos e queria muito ser um estilista como McQueen era, com craições perfeitas, com vida em si mesmas,  fazendo moda pureamente concebida. Seus desfiles eram apresentações que não cansavam, não só pelos looks, mas também pelo formato, sempre diferente, sempre cheio de novidades. O mundo perdeu no ano de 2010 o homem que colocou chuva, robô e um holograma da top model ícone Kate Moss na passarela, que absolutamente empobreceu, embora Sara Burton pareca tê-lo, a princípio o substituído a altura, mas até quando durará?

A moda se lançou com uma força enorme na mídia, as marcas invadiram as redes sociais, o e-commerce parece ter engrenado de vez em uma geração que agora aprendeu que a moda se impulsiona na atualidade por blogs, que são, o que eu chamaria de, a nova tribo. Os blogueiros, são os atuais decodificadores das passarelas, os expositores das ruas, assim como também são a gordura saturada nos grandes canais de informação que levam a moda a “Classe D”, o público alvo 2010.

A moda feminina foi monótona: a cintura se manteve alta o tempo todo, o preto se manteve em todas as estações hegemônico, despotista, cansativo. O que salvou as mulheres foram os esmaltes. Até blogs foram criados para se discutir isso, eles foram a moda feminina em 2010, onde faltou novidades e fôlego para as roupas. Nos desfiles do verão 2011, Raf Simons na Jil Snader fez o que nenhum outro fez esse ano: tornou grandioso o repetitivo, trouxe volume a silhueta e disse ‘se não cansarmos agora não cansaremos’. Seu minimalismo e suas cores fizeram o melhor desfile desse ano, onde realmente a mulher pareceu livre – mesmo com a cintura alta – de tudo!

Já os homens entraram de vez no processo do grande profeta Hedi Slimane, que desde 2003 vinha profetizando o paradigma de homem que nós vemos agora: um tipo skinny. Os homens descobriram e assaltaram o guardarroupa que antes era julgado “gay”, e começaram a entender que moda não apenas sobre gênero, é mais sobre personalidade. Eles amaram as formas mais sequinhas e outras modelagens para as camisas, calças (saruel), sapatos e para a vida de uma maneira geral. E os termos cosmopolita, metrossexual, it boy, e por aí vai parecem não mais descrever o homem moderno, que se mostra a cada dia tão versátil como as mulheres.

Ah, as mulheres! Ganharam outro tipo de evidência, quando modelos veteranas estiveram nas campanhas, nos desfiles e nas revistas. Kristen McMenamy aos 46 anos fez um esplêndido retorno, estando nos melhores lugares das melhores maneiras, citando dois momentos: o desfile do inverno 10/11 de Viktor & Rolf  e o super editorial de Vogue Itália fotografado por Steven Meisel, denunciado os acidentes com o petróleo. Mas houve espaço para outras também, para a volta de Gisele Bündchen as passarelas na Balenciaga, depois do nascimento de seu filho.

O ano ficou mais bonito quando os mais antenados colocaram óculos de sol do modelo Ray-Ban Wayfarer de todas as cores e sairam para as ruas. Quando vimos Tom Ford retornar ao ready-to-wear feminino depois de ter feito um filme perfeito. Quando vimos Lara Stone chegar o número um (no raking do models.com) e Baptiste Giabiconi se manter na mesma posição com um empurrão firme de Lagerfeld. Vimos milhões de coisas: editoras de moda se tornado pauta em tudo quanto é lugar, Anna Dello Risso, Giovana Bataglia, Katie Grand, serem sensação, até mesmo quando dizem adeus inesperadamente como fez Carine Roitfeld, que deixará a editoria chefe da Vogue Paris em janeiro de 2011, depois de dez anos de excelente trabalho a frente da revista. Vimos também Lady Gaga a cada aparição tentando causar, na falta de outros atrativos, e tentando movimentar a moda, o que de fato não conseguiu, porque o que perdurará na moda em 2011 tem haver com outra coisas, tem haver com minimalismo reinventado e androgenia, o que ela passa longe.

Mas o que mesmo vai ficar na minha cabeça e talvez na de muitos fashionistas e o quanto a moda se tornou MODA em 2010, com os desfiles chegando de vez a era do live stream, e grandes criadores fazendo parcerias com as grandes cadeias de fast fashion, distribuindo a força do desejo de parecer mais amplamente com quem não tem tanta força pra consumir o que mais pode distinguir. Isso movimentou a mídia de moda e os caixas das lojas, embora o algodão tenha subido de preço, o mercado não desaqueceu. A onde do querer ser se elevou a ponto de atingir mais gente em sua rebentação. Não foi uma democratização do luxo, não foi mesmo! Foi uma democratização do desejo de consumir luxo, o que se experimentou durante esses dias, nos quais mais pessoas passaram a acreditar que o luxo é possivel, mesmo não sendo ainda.

Foi bom viver a moda nesses dias, que poderemos lembrar daqui a dez anos talvez, como dias de grandes acontecimentos no mundo fashion. E para que melhor guardemos tudo o que passou em nossa memósria tão eletrônica hoje, o pequeno filme de rápidas imagens tentará gravar em nossas cabeças esse 2010 onde até mesmo buscamos encontrar novos ícones, como Lady Di.

Quem em 2011  nós possamos viver diariamente a frase de john Keating, personagem de Robin Williams  no filme Sociedade dos Poetas Mortos (Dead poets society, EUA, 1989),  para seus alunos: Carpe dien! Aproveitem o dia garotos, façam suas vidas extraordinárias (“Cape diem! Seize the day boys, make your lives extraordinary!”).

Que tornemos cada dia de 2011 extarodinário!

One Comment leave one →
  1. 29/12/2010 21:39

    Certamente, McQueen fará falta! Mas já que não podemos mais contar com sua genialidade, que venham outras cabeças malucas e adoráveis.

    Discordo a respeito da Gaga. Usando suas esquisitices, a srta Germanotta fez com que muita gente se sentisse mais à vontade para se expressar livremente através de suas roupas.

    No mais, amei ver o minimalismo tão forte no exterior. Pago pra ver se pega aqui! ahahahahah

    Um beijão e feliz 2011!!!

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