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PENSE MODA 2010: O BRASIL PENSANDO EM MODA

26/11/2010

Durante três dias a moda brasileira foi o centro da discussão no Pense Moda 2010, em São Paulo.

O Pense Moda já é um evento tradicional de fashionistas que entendem a moda enquanto manifestação simbólica, cultural e artística e não apenas como ferramenta de arrasar na balada. Este ano o evento, criado em 2007,  em sua quarta  edição faz uma discussão sobre os caminhos da moda nacional e seus desafios sociais, trazendo atrações internacionais, como The Hilton Brothers e Suzanne Tide-Frater para ajudar a entender o panorama nacional do mercado de moda brasileira, a fim de entender onde estamos e aonde podemos chegar.

No primeiro dia (23/11) do evento a questão de mesa de discussão ficou por conta da relação entre a internet e as marcas, em um debate intermediado pela jornalista da Folha de São Paulo, Kátia Lessa, Felipe Teoblado (Neonico), Paulo Martinez (Mag/FFW), Guga Ketzer (VP Loducca) e Mateus Santos (Lobo) tinham como proposta abordar o papel da internet como ferramenta de comunicação entre marcas e consumidores. Entretanto a discussão passou bem longe do alvo. Tudo ficou muito preso a relação das pessoas como um todo com relação a quantidade de informações que circula na rede. Felipe, sempre argumentando com termos técnicos, e dados estatísticos de analista de sistemas, chegou a dizer que em 10 anos não iríamos querer mais internet, que talvez esse recusrso que hoje passa pelo momento de boom, seria algo ultrapassado (?). Paulo Martinez discordou dizendo: “Mas nós acabamos de inventar tudo isso!”. As questões que permearam o debate foi: O que fazem os editores? Onde os blogueiros se encaixam nesse quebra-cabeça? Alguém está tomando o lugar de alguém? Todos mantém alinha de pensamento da seleção natural das coisa. Mateus disse que hoje pode exuistir muitas pessoas fazendo muitas coisas, mas grande parte delas não tem realmente talento para isso, portanto serão superados por quem tem.

O blog [NUNES:FERNANDO], como sempre disse, acha bárbaro as mudanças significativas na mídIa que vem acompanhando a moda, principalmente nos últimos dois anos. Defende a livre circulação de informação de moda na rede, reconhece isso como um fenômeno digno de estudo, mas entende que existe o trabalho de profissionais e de quem gosta da coisa. Muitas vezes esses personagens parecem atuar de lados apostos. Uma vez que os profissionais tem responsabilidades com anunciantes e público, que muitas vezes blogueiros e outros não tem. Além da qualidade da informação que é um determiante crucial para se separar hoje o joio do trigo.

O debate foi muito esclarecedor quanto a função e posição de cada coisa dentro do mundo da moda hoje, comop por exemplo como será a relação do iPad com as revistas. É possível substituir o impresso? É possível tornar as coisas mais rápidas?  O fato é que foi confirmado que perdemos muito tempo vendo lixo elerônico, quando poderíamso estar lendo um livro ou revista  Quanto a isso, ficamos com a pergunta feita por Paulo Martinez algumas vezes durante a discussão: “E nós queremos mais tempo pra que?”. Fique a pergunta!

Já no segundo dia (24/11), sentados para debater o impacto das marcas estrangeiras no mercado brasileiro, a mesa composta por  Alexandre Birman, designer de calçados, Danila Cecilio (Farfetch Brasil), Natalie Klein (NK Store e Marc Jacobs), Fernando Pimentel (Diretor Superintendente da ABIT), Rosâgela Lyra (Diretora da Dior Brasil), Richard Barczinski (Diretor de Reatil da JHSF – concessionária da Hermès no Brasil), foi mediada por  Giuliana Cury (Elle Brasil).

O Brasil estreou de fato no mercado de luxo? A opinião foi geral sobre a chegada das marcas estrangeiras do setor foi que sim, porem com caute. Embora todas tenham  Natalie Klein citado que haja ainda um demanda reprimida no país quanto aos artigos do mercado de Luxo. Rosângela Lyra, representante da Dior no Brasil, resgatou o fato de ter sido um escândalo na Europa quando em 1959 a Dior resolveu abrir sua primeira loja na América Latina, esxatamente no Brasil e citou um comentário da época: ” Os jesuítas foram catequizar os índios no Brasil e Dior vai vesti-los”.

O público com poder aquisitivo baixo – a dita classe C –  é um elemento claro na estratégia das grifes que se deslocam cada vez mais para o Brasil. Algo que fez parte do pensamento comum da mesa é que o movimento compassado das marcas internacionais para o país é salutar, ao contrário da China, onde as marcas abrem filiais constantimente. Ressaltando que no Brasil um entrave para a expansão das marcas internacionais é o valor dos impostos dos produtos importados que entram aqui, que as vezes tem de pagar imposto sobre produtos industrializados, mesmo quando o produto e fabricado na França.

 

O mercado de luxo no Brasil - da esquerda p/ direita, Natalie Klein, Alexandre Birman, Giuliana Cury, Daniela Cecilio e Richard Barczinski | Foto: Neonico

Outro ponto da abordado foi o e-commerce, as compras pela internet. A falta de cultura dos brasileiros de fazer compras on line é uma grande barreira a ser superada, já que o comercio on line tem um tom muito diferente para o cliente do que uma ida a loja lembrou Daniela Cirilo, que garantiu que a peças que são compradas no farfetch chegam em até 5 dias aos clientes. Outro ponto discutido foi a burocracia que existe para esse setor novo no país, desde da logística,  fazer com que o produto chegue ao cliente no prazo, até as reclamações do consumidor, passando pela política de troca  e outros percalços que as marcas enfrentam na área. Neste momento foi lembrado que o PROCOM, agora receberia reclamções de consumidores via internet, o que já é um avanço que acompanha o progresso das vendas eletrônicas.

“Eu acredito que no Brasil existem poucas marcas de luxo”, exclamou Natlie. “O que é Luxo?”, questionou Rosângela, que logo ouviu uma definição do que seria, que deixou bem claro que seriam tiragens pequenas, DNA forte e definido, produto de qualidade. “Não há marcas tão fortes aqui no Brasil que as cadeias de fast fashion vão copiar, como acontece com a Balmain e outras marcas” continuou Natalie . Birman disse que o sucesso de fazer uma grande marca é ter qualidade no serviço, além de ter um bom produto, estimular o desejo e ter a confiança dos consumidores, entre outros aspectos, coisas que as marcas brasileiras estão se adaptando.

E a colaboração das grandes marcas com as cadeias de fast fashion? Todos disseram que acham a parceria algo positivo, um passo na “democratização do luxo”, uma vez que a quantidade de lojas aqui no Brasil é muito pequena, comparada com outros paises.

 

A expert em brading Suzanne Tide-Frater | ₢Divulgação

Para encerrar a noite do segundo dia Suzanne Tide-Frater – que possui um extenso currículo e vasta experiência em consultoria de mercado de moda, já tendo trabalhado com a Harrods e Hussei Chalayan,  trabalha atualmente com o Farfetch, gigante na vendas online de marcas de luxo, com filial brasileira. Além de fazer parte do conselho do British Fashion Council.

Tide-Frater falou basicamente sobre como é possível e necessário aliar conceito e inovação ao comercial. Acentuou a necessidade de surpreender os clientes, inspirá-los a terem o desejo de comprar, disse: “só a verdadeira criatividade  é  comercial”. Acrescentou ainda que ficou supresa pelas mudanças que viu no Brasil nos últimos anos, desde de sua última visita.  “Os brasileiros tem agora muita informação de moda, mas ainda estão apegados aquilo que é seguro e não conseguem largar o jeans e a camiseta”, concluiu.

No terceiro dia (25/11) o assunto da mesa redonda foi a moda na TV. As convidadas para o debate foram Carla Lamarca e Maria Prata (Fashion TV), Cássia Ávila, Susana Barbosa (Elle Fashion Fabric), mediadas por Betty Lago.

Suzana começa falando que tem muita gente na TV pensando moda como conteúdo de impresso e não consegue admitir que a TV tem outro formato. É preciso dinamizar, fazer a coisa de uma maneira diferente, o que Maria Prata completou dizendo que moda está misturado com tudo hoje, não dá pzra fazer uma coisa isolada. A  TV não foi feita para tratar a moda de uma maneira muito séria, do ponto de vista crítico. Prata falou ainda que a TV tem um desafio maior, uma dimensão maior, um público muito maior, distorcendo assim a questão de unilateralidade temática.

Uma pessoa da platéia pergunta qual opinião das convidadas sobre os programas de transformção de estilo: “A gente faz coisa ruim porque o povo gosta de coisa ruim”, disse Susana. Que junto com Maria acha que esse tipo de programa não discute muito moda. Já Betty Lago disse adorar o formato, que é puro entretenimento dentro da moda. Carla Lamarca acrescentou que esses programas apenas fazem o que as pessoas já fazem, é a prática na televisão.

E como ser um jornalismo de moda? A discussão foi que a cultura de moda é muito nova no país, e um consenso foi que um jornalista que tem uma boa bagagem cultural possam atuar na área de moda, e que as faculdades de jornalismo e moda precisam preocupar com isso preparando profissionais para atuar especificamente dentro do setor. “Nem todo mundo que escreve moda bem pode fazer moda bem pra TV”, disse Betty Lago. O mesmo acontece com a imagem, é preciso ter tino para “não fazer dos vídeos de moda catálogos em movimento”, coloca Susana.

 

Mesa sobre moda e TV: da esquerda para direita: Maria Prata, Betty Lago, Susana Barbosa e Carla Lamarca | Foto: ₢Neonico

A questão de todo mundo criar, produzir, mexer com moda – Maria disse que acha ótimo que todo mundo faça isso, que brinque de criar, de produzir, isso é bom e é uma coisa natural e também naturalmente só quem faz a coisa direito permanecerá fazendo, só os melhores continuarão é afirma: “Fazer a coisa profissional é diferente!”

A relação de moda com as novelas foi citada por Maria como sendo estereotipada: como contar história do estilista, porque é para a classe C – classe muito citada ao longo de todo debate, classe que é o novo alvo da moda. Betty complementa dizendo que as vezes a novela é cafona, tem figurinos horríveis, são os mais procurados. Suasana acha que o figurino copiado nas ruas das novelas é sempre o mais normal, o que não tem nada de especial. Betty completa argumentando que isso é muito fruto da imagem da atriz passa para seu público, que os telespectadores se apegam a imagem da atriz, querem ser e parecer como ela.  Citando a personagem de Carolina Dieckmann em passione, cujo figurino é um dos mais comentados no momento pelas mulheres. Outro problema apontado é que o publico não está acostumado com o merchadising de moda nas novelas, é algo sempre muito criticado.

Encerrando Betty, comentando sobre as grifes de músicos, disse que “fica tudo uma mistureba e no final quem sai ganhando é a classe C” (risos).

A quarta edição do Pense Moda se encerrou com a palestra do artista de rua françês, Zevs. Conhecido por ter criado aquela logo da Louis Vuitton que a tinta fica escorrendo, extremamente copiada por outras marcas na época de sua criação. Zevs (pronucia-se Zeus, com U), falou de como seu trabalho é uma crítica ao mercado de luxo e da relação íntima entre a publicidade e as marcas.

Assim terminou o Pense moda 2010, nos deixando muita informações sobre o futuro da moda no país. Se você quiser conferir as mesas de dicussão e palestras na íntegra clique aqui.

 

2 Comments leave one →
  1. 30/11/2010 10:49

    adoro a Betty Lago, esse pense moda foi super bom!

    super bacana seu espaço Fernando! bem Runway.

    Abraços!

    Rodrigo | GDG

  2. 30/11/2010 22:56

    Bela matéria Fernando. Ótimo resumo!
    Tenho cá minhas idéias a respeito de alguns assuntos discutidos, mas deixo pra outra hora. O foco aqui é parabeniza-lo pela materia.
    Abs

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