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TREND HOUSE'10

21/08/2010

A S.MAG Todeschini Trend House’10 – semana de moda de Maceió, rolou entre os dias 17 e 19 de agosto. O blog [NUNES:FERNANDO] esteve lá conferindo os desfiles das marcas locais e agora apresenta um panorama de tudo que rolou no evento no conceito de moda.

Dudu Bertholini, o mais esperado da Trend House'10

Foi uma oportunidade de se apresentar o trabalho local e  dar ênfase ao artesanal. Algumas marcas souberam fazer isso e buscar uma identidade alagoana outras porém, se distanciaram mais deste conceito e buscaram outros tipos de inspirações.  Algumas marcas como a Neon e a Colcci reeditaram seus desfiles por aqui. Desfiles que mostraram  chancelados por lojas locais trouxeram outras reedições com algumas peças como a Mara Tenório que trouxe mostrou peças da grife carioca Mara Mac, a SNC Beach Company colocou na passarela peças da também carioca Lenny e da Rosa Chá, inserindo o beachwear no evento. Quanto as celebrities, o estilista Dudu Bertholine, super simpático, veio com o desfile  bem construído da Neon sob a chancela da loja Mammoth, considerada a loja mais hype da cidade por muitos. Na Colcci  o frisson não foi causado pelas peças que foram apresentadas na última edição da SPFW, sim pela presença das “fast celebrities” os ex-bbb Alan e Lia, que abriu e fechou o desfile da Colcci.

 

Veja agora resenhas dos principais desfiles da Trend House’10 

Maia Piatti 

Era uma tarde morna de terça feira. Havia um cheiro forte de melaço de cana de açúcar que dava para sentir da porta do terminal açucareiro onde aconteceria o desfile de grife alagoana Maia Piatti. De início dava para ficar um pouco assustado com o tamanho do maquinário posto atrás da passarela, que seguia entre os trilhos de deslocamento da gigantesca máquina. 

Passarela da Maia Piatti no terminal açucareiro do Porto de Maceió

Todos apostos, a luz natural do grande galpão do terminal, uma penumbra, as luzes da passarela ascendem e o desfile que começaria traria mais luz para o nome Maia Piatti. A apresentação é basicamente feita de vestidos coordenadamente volumosos na saia e com corte assimétrico, também presente nos tops e saia da coleção. A questão do volume foi bem explorada e distribuída, os tops tinham um certo volume lateral, peculiar a técnica de construção, que foi a moulage. Este voluma aparecia também em bolsos e grande nesgas enviesadas que se abriam por sais e vestidos.  No primeiro momento do desfile as peças que apareceram em tons terrosos e um verde seco, aquele de folhas já envelhecidas, dominaram a passarela combinadas com o laranja que deu ânimo a cartela de cores sóbrias em looks bicolor ou monocromáticos. Já no segundo memento as peças tomam força mais geométrica, seja no corte que assume a assimetria de vez ou na estampa listrada que cobre boa parte das peças no bloco final.

 

Listras pretas em padronagens diferentes estampavam os pedaços recortados dos vestidos e tops, em fundo branco, tops sobre calças brancas, em tecidos menos rústicos do que o linho e o algodão das peças do início. Os acessórios criados na mesma linha de inspiração da coleção e fabricados com matéria prima característica da região foram criados com o mesmo conceito da coleção. Em uma conversa com Ana Maia, design da marca, ele contou que as inspirações para a coleção vem das linhas geométricas da arquitetura e as peças são fruto de uma experimentação destas linhas em uma quarta dimensão, que é o movimento do corpo. Linhas que precisamente falam da brasilidade nordestina, talvez das fachadas, ruas, da vida de certa cor queimada pela sol , por isso os tons e o ligeiro aspecto dos tecidos, queimados pela ação do sol nas peças coloridas. Em alguns momentos reconheci traços do último desfile do desfile da grife Maria Bonita que abordou tema semelhante em sua proposta para o verão 2011, inclusive inserindo no tema a ideia de conforto, muito presente no desfile da Maia Piatti.

As irmãs Ana Maia e Rosa Piatti, fizeram uma boa apresentação, falaram de seu lugar, de sua realidade, de maneira leve e diluída, evocando um beleza sutil de traços característicos de uma mulher de uma visão ampla do mundos mas com olhos voltados para sua terra.

 Flor do Mandacaru

No telão luminoso o sol se escondia atrás da linha do horizonte. Este foi o tema escolhido para que a grife Flor do Mandacaru criasse uma coleção com a vontade de falar do nordeste, pelo menos em  alguns aspectos a proposta foi atingida.

O verão da marca vem com muitas referências, talvez tantas que o sol nem chega a se por, no sentido de que não há como entrar em um repouso para entender o que rodeava a cabeça da costureiras/designers que tocam a marca.

No início do desfile o branco parecia trazer uma singeleza, evocando simplicidade que logo se revestiu de renda e de tecidos de seda, abandonando o algodão, se arquitetando em vestidos que tinham eira e beira, ou talvez babados, ou talvez drapeados, ou zipers ou? Uma profusão de ideias que vieram das mentes de sete criadoras muito pensantes.

 

A marca, originária da cidade de Santana do Ipanema no interior de Alagoas, mostrou peças que em alguns momentos não se encontraram com o tema e com outras peças, mas que isoladamente tinham um trabalho esmerado que buscou um bom acabamento e escolha de tecidos certos para peças certas.  E embora o resultado não tenha agradado muito a crítica que achou o desfile confuso e desconexo e fundamental entender que a direção de criação da marca é feita pelas sete costureiras,  o que torna difícil o trabalho de criação, sendo que para esta coleção contaram com a ajuda de uma designer. O que foi muito bonito foram as costurinhas, meio nervuras que cobriam partes de algumas peças, algo que dá muito trabalho para fazer, é simples de ver e extremamente valioso no sentido artesanal do conjunto. Em relação ao tema, o por do sol do nordeste tinha um ar burguês nas formas e pequenas exuberâncias, que uma a uma tomaram conta dos looks. Não se pode falar em vanguardismo quanto a apresentação, o trabalho de reprodução é evidente, mas existe esforço e isso é válido lembrar.

 Manzuá – Larissa Nunes

No backstage da Manzuá de Larissa Nunes estavam sendo dados os últimos acabamentos nas pulseira das modelos quando cheguei. Ao invés de pingentes, medalhas, miçangas, havia cigarros que combinavam com os globos pretos completamente cheios de cigarros em volta no início da passarela. Logo de cara, pensamos: é algo tipo Lady Gaga! Entretanto em entrevista Larissa me contou que não tem nada a ver com Gaga seus cigarros, mas sim, com a mudanças no comportamento e na indumentária feminina no período entre os anos 1914 e 1920. Ela vai fundo na referência, principalmente por querer tratar de um período com grandes mestres na moda como Poiret e até mesmo Chanel e dá a coleção o nome de “Vinte conflitos”.

O referencial de maior força está principalmente na silhueta onde a cintura é marcada no quadril. Elementos como franjas, adereços para cabeça – neste caso, cobertos de paetês pretos brilhantes – colocou os pés da grife nos anos 20 com força. Larissa disse ainda que queria mesmo a essência dos anos 20 para vestir uma mulher que quer ir a boate e arrasar. Todo o trabalho foi feito em preto, muito branco e nude.

As roupas são leves e em quase todos os look patchwork do mesmo tecido ou tecidos diferentes foram trabalhados. As peças basicamente eram feitas de malharia, mas Larissa também explorou outros tecidos fazendo, por exemplo, lindas aplicações de tule de malha quase em forma de pétalas, uma coisa de movimento e beleza que faz a gente sonhar com a beleza de um consumo de digno, mais a nossa cara. Quanto a ligeira comparação com Lady Gaga, Larissa disse o seguinte: “Eu nem imaginei Lady Gaga! Até não gosto muito do estilo dela porque eu acho que é muito fantasia e amoda não é isso, as pessoas estão confundindo um pouco. Mas que bom que estão me referenciado a pessoas que estão ditando estilo.”

Veja o vídeo do desfile completo da grife Manzuá – Larissa Nunes

A questão do posicionamento feminino fica uma pouco clara, novamente representada pelo cigarro, em um vestido coberto de patchwork de maços do mesmo. Foi lúdico e jovial, um pouco contrário ao tema denso que Larissa quis abordar, eu diria que essa foi ponderação para o verão da marca: falar de passado de peso porém sem se vestir mesmo desta história. Larissa Nunes é um daquelas nomes que se dever prestar atenção, digo isso porque conferi as roupas de perto e me agradei muito da qualidade e isto não se trata apenas de um discussão de conceito, mas também de consumo.  Sem dívida isto irá contar pontos a mais na vantagem dela em relação aos estilistas de sua geração. Como ela mesmo falou, é malha, mas não é só cortar e costurar, é preciso pesquisar, compor e acabar com precisão. Senti isso, essa vontade em Larissa em nossa conversa, sua consciência do que é o trabalho de moda.

 Ap 401 – Lucas Barros 

Não se pode negar que a marca AP401 é uma marca de estamparia, em primeiro plano. O desfile no segundo dia da Trend House confirmou esse fato. Já vi outros trabalhos de Lucas Barros, designer criador da marca, inclusive  vi muitas outras peças e é fácil reconhecê-las. Elas possuem uma peculiaridade que a primeira vista lhe chama, lhe causa desejos de ter, porque é diferente e todo mundo quer ser diferente. Porém o diferente da marca cansa um pouco quando oferece uma silhueta ampla, que referencia trabalhos passados e torna a coisa um exercício de metalinguística no quesito proporções, padronagem e textura. Esta é uma coisa a qual quero me demorar um pouco, textura. A sobreposição das muitas estamparias conferem ao tecido, algodão, malha, linhos seja ele qual for a peça um aspecto envelhecido, vintage demais. É bacana ter uma peça, duas, vai parecer repetição. Claro, que duvido que todas as coleções tenham o mesmo tema. Todavia a estampa característica de muitas cores, desenhos sobrepostos numa formação meio psicodélica muda pouco.

 

 

A mensagem da AP401 é apelativa no sentido visual e seu desfile foi um espetáculo de alegria delicioso, todos os modelos sorrindo – amigos do designer -, se divertindo e oferecendo doces ao final. Em uma bandeja onde era possível ver: “eu te ofereço”. Embora eu não consiga compreender ou ver a marca sair de seu caminho powerprint, vejo que é um trabalho que interpreta a arte, e faz de modo razoável, agradável e comercial, fórmula da qual necessitamos na moda de um pais emergente no setor como é o Brasil.

Infelizmente não tive a oportunidade de conversar com Lucas Barros ao fina do desfile, mas gostaria de perguntar-lhe se ele já pensou em fazer algo mais limpo visualmente, principalmente depois que soube que o desfile atrasou porque ele mesmo participa avidamente do trabalho de corte e montagem das peças, estava no backstage dando os últimos retoques. Isso me fez pensar na questão da modelagem, uma vez q ele mesmo executa tudo. Essa será um boa pergunta para uma próxima oportunidade.

 Fullô | Carol Paz

A marca Fullô das estilistas Mariana e Janaina Calheiros fez um desfile colorido e alegre com típicos elementos das roupas do nordeste. Com tecidos leves um toque de transparências e cores vibrantes, a mulher que a Fullô propõe sabe usar saias longas, mas entende a utilidade dos minis. Entende que misturar é preciso na moda para se conseguir o que quer. O desfile foi bonito, agradável, representou bem o tipo de roupa que se produz na região, mas que infelizmente não é tão consumido pelas mulheres que moram por aqui. Tlavez falte um pouco de visão do consumidor no que diz respeito a entender o desmembramento de um look de passarela, entender a composição ideal para o momento ideal. A Fullô, que desfilou os acessórios Carol Paz no look, apresentou de forma simples coisas conhecidas, exaltando o artesanal que é parte importante do DNA da marca e da cultura do nordeste.

 

 

 Quero muito falar de outras coisas da Trend House’10 como a palestra da Arezzo, a Sayonara Araújo e o estilo dos fashionistas, mas é assunto para outros posts!

2 Comments leave one →
  1. 21/08/2010 21:28

    Parabéns Fernando,ótima cobertura dos desfiles!
    Gostei muito da coleção da Larrissa Nunes.
    Cara tambéms gostei do local que foi escolhido pra ser os desfiles..mas eu preferiria q tivesse deixado mais rústico o ambiente..ia ficar mais legal!
    sim..cara o Dudu Bertholini tava lá???!!!
    Cool dude!!!!🙂

  2. 22/08/2010 10:27

    Adorei a idéia do desfile no Engenho!

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