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DIREITO DE AMAR – DE TOM FORD

11/04/2010
Firth e Goode em uma das muitas cenas de flashback de George Falconer

Na saída da sala de exibição, um rapaz comentou: ”esse tipo de amor só existe no cinema!” Talvez ele estivesse certo ao expelir essa frase depois de ver a atuação densa e completamente sentimental de Collin Firth. Ele não foi o vencedor do Oscar da Academia, tornou-se mais um dos injustiçados, certamente.

A expectativa era grande para conferir o figurino do filme, afinal a direção era de Tom Ford, um dos mais consagrados designers de moda. Contudo o figurino foi o de menos, despercebível, curto, o enredo não permitia excessos. Aliás, o enredo aparentemente complexo, dava muitas voltas no mesmo ponto: o sentimento de perda que George Falconer, personagem de Firth, não aguentava mais carregar. Apesar do roteiro adaptado do romance de Christopher Isherwood ter sido muito bem construído e moldado por Ford durante o longo tempo em que trabalhou em cima do projeto, o enredo é resumido pelo tempo da história, que transcorre em apenas um dia. Termina ficando repetitivo e despertando o desejo de um desfecho diferente.

Ford explorou ao máximo a capacidade dos atores de representar, de se expressar com os olhos, isso fica bem claro na fotografia com a direção de Eduard Grau, que usou closes fechados, muitas vezes feito de cima e slowmotion, uma experiência que dava uma dinamicidade e peculiaridade as cenas, uma vez que a quantidade de luz usada fazia o filme de fato parecer mesmo dos anos 60.

Tom Ford dirigindo Collin Firth no set de filmagens

Outra coisa que se esperava ver era como o sexo, que Ford domina na moda, estaria presente no filme. Ele foi sutil nisso. Os corpos se expõe menos que o esperado, levando a nossa atenção para outros detalhes como a arte  – tal como o da casa de Falconer, uma casa praticamente construída de vidro e madeira, formando um cenário impressionante, ou a casa de Charly, presonagem de Julianne Moore, locação de uma das mais belas sequências do longa.

Se há apologias no filme? Sim, há. Em uma cena em que o professor Falconer está na sala de aula e levanta a questão sobre os que são a minorias e como elas se tornam algo assustador para os outros quando diante da possibilidade de se tornar a maioria. Esse trecho assinala o texto muito bem redigido e inteligente que o filme possui, bem como, as discussões sobre a Guerra Fria e os famosos mísseis em Cuba.

Moore praticamente só aparece em algumas sequência, três talvez, de forma leve, estando encantadoramente linda. Matthew Goode, que representa o falecido marido de Falconer, está sedutor em cada um dos flashback que seu ex-cônjuge tem. Quanto a Nicholas Hoult, seu personagem caiu como uma luva, insosso tanto quanto sua atuação. Entre os acertos do filme: Firth, sem dúvida! A mesma coisa é impossível dizer sobre o modelo Jon Kortajarena, o preferido de Tom Ford, ele aparece rápido fazendo um tipo michê, seu acréscimo, eu diria: o texto ganhou algumas frases em espanhol em sua voz macia.

O filme é esteticamente impecável, sendo um possível prenúncio de que o mundo cinematográfico pode ter ganhado um grande diretor. Se a mesma medida for usada por Ford em outros trabalhos, sem dúvidas ele será conhecido também como tal.       

fotos: divulgação

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